Fonte: Bruno Garschagen
Ele já se definiu como Bouvard et Pécuchet, personagens de Flaubert. Sua literatura conjuga o melhor da prosa satírica, burlesca e picaresca forjada na Inglaterra, França, Itália e Espanha. Daqui, sorveu, especialmente, Lima Barreto e Machado de Assis. D elá, Rabelais, Diderot, Voltaire, Swift, Milton, Cervantes, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Evelyn Waugh, P.G Wodehouse. Tem mais? Tem. Mas tudo o que é demais excede, já dizia minha bisavó.
Sua prosa futuca as chagas e os ridículos do homem médio, do homem baixo, do homem ocidental, das três mulheres altas, do homem imperfeito que se pretende perfeito pelas boas ações, que nunca são. São trágicas. São cômicas. São Paulo. Onde nasceu. Não gosta de lá. Critica. Com violência. Com graça. Nem todos vêem a graça. Muitos vêem o Espírito Santo. A equação não fecha. Aqui o candomblé festeja os orixás dentro da Igreja Católica. Vai entender…
Diogo Mainardi: Uma novela (Malthus), três romances (Arquipélago , Polígono das Secas e Contra o Brasil), uma coletânea de artigos (A tapas e pontapés). Embora seus quatro livros mostrem um escritor notável e único no Brasil, não foi o romancista a ganhar fama. Foi o jornalista − primeiro, violento e azedo; depois, conjugando humor e virulência − a se tornar nacionalmente conhecido.
Você, leitor amigo, sabe, há alguns anos Diogo é o colunista mais comentado do país, para o bem e para o mal. Escreve para a revista de maior prestígio e maior circulação nacional, a Veja. No início, sobre temas culturais. A eleição de Lula converteu-o em colunista político. Foi um dos primeiros a destapar o derrière do governo petista. Pediu, por várias vezes, pela revista, o impeachment de Lula. Continua desnudando o mito Lula, avançou a trincheira na direção dos demais homens do presidente, mas admite o enfado do samba de uma nota só.
Suas colunas reverberam, retumbam. Numa lista das dez com maior repercussão de leitores da história da Veja, sete são dele. Andando com Diogo pelas ruas de Ipanema, ou conversando dentro de um café no mesmo bairro aqui do Rio, as pessoas se aproximam, cumprimentam, elogiam. Quem não gosta e reconhece finge indiferença.
Com a matéria docorrespondente do New York Times, Larry Rohter, feita em 2004, em que dizia haver preocupação nacional com o, digamos, hábito de beber do presidente Lula, Diogo ganhou tribuna mundial. Foi citado pela coluna na qual pedia ao presidente que parasse de beber em público.
Diogo, também comentarista do programa Manhattan Conection, do GNT, gosta do Rio. Mora aqui desde 2003, de onde escrevo, racho os calcanhares e o fígado. Cuida dos dois filhos, vive a esposa. Volta e meia dá um pau no Rio. Errado? Não. O Rio está falido. Sujo. Uma grande latrina de fezes e urina canina. Sobrevive pela paisagem e pela Globo. Ai de ti, Copacabana, já lamentara nosso cronista maior Rubem Braga. Ai de ti, Rio de Janeiro, resmungo eu.
Nos anos de 1980, se mandou para Londres. Estudos na London School of Economics. Procurou o escritor e jornalista brasileiro Ivan Lessa, radicado no país do doutor Samuel Johnson desde a década de 1970. Os estudos formais foram para o brejo. Ivan, que escreve para o site da BBC, concedeu-lhe a formação intelectual e humanista. No papo, na conversa. Livros por semana. Entregas na seguinte. E assim foi.
Diogo é sempre tachado como cópia mal feita de Paulo Francis. Mas ele, no tom e no texto, é da linha de Ivan Lessa. Corre e vai ver lá. Voltou? Prossigamos.
Cheguei a Diogo por sua obra literária. Só depois, às colunas. Fiz o caminho inverso do que o normalmente acontece. Brasileiro, às vezes, lê jornal e revista. Livro, nem pensar. Esta entrevista foi feita em dezembro do ano passado para a revista portuguesa Atlântico. A maior parte do que publico aqui no blog, incluindo esta introdução, não seguiu para Portugal, ficou aqui, guardado, e agora divido com vocês. Algumas perguntas, você vai notar, foi feita na ressaca da eleição do Nine Fingers, o terrível vilão que ganhou o segundo mandato nesta Terras de Vera Cruz. Mantive aqui porque as respostas são boas e não perderam validade. Mantive ainda as questões sobre Portugal. Você vai gostar.
A concessão da entrevista, foi por amizade, em forma de esmola. Senti-me Oliver Twist em Ipanema, calçao puído, nariz sujo. É assim aqui. Sem barquinho e violão, nada de chorar na varanda. É preciso garantir o uísque das crianças, alguém já disse isso, o autor, não lembro.
Era uma tarde de céu nublado. Rumo à Estação Ipanema. Apartamento dele em frente ao mar. A praia, dia cinza, parecia um instantâneo de Cartier-Bresson. Lá fui, cheguei, vi e ouvi. A conversa é essa. É boa. Você, leitor amigo, não pode não gostar.
BRASIL
Você foi um dos três jornalistas brasileiros, além de Reinaldo Azevedo e Olavo de Carvalho, que desde a eleição de 2002 fez oposição aos modus operandi do PT e do presidente Lula. É destino, sina ou maldição?
Eu nunca fiz uma crítica ideológica ao governo. O governo não é ideológico; o Lula, sobretudo, não é ideológico. Eu sempre o tratei como o laranja de uma gangue, como o testa-de-ferro de uma bandalha. A única novidade desse governo é que ele criou um escudo muito forte para acobertar a roubalheira, que é a imagem do próprio Lula. Ergueu-se uma cortina atrás da qual o roubo corre solto. Eu sempre pensei em abrir essa cortina, em minar o testa-de-ferro, em revelar o esquema laranja escondido atrás do Lula. O meu trabalho, desde o começo, foi desmontar o mito Lula. Eu só via nele uma fachada para encobrir interesses muito menores.
Se o Lula é o testa de ferro, quem é que manda no governo?
Lula se insere na velha tradição do caudilhismo. Um grupo de pessoas que veio da camada mais baixa da sociedade toma o poder e só pensa em se dar bem. É um grupo bastante grande e que está disposto a tudo. Aconteceu no Brasil e na América Latina muitas outras vezes no passado, e está acontecendo de novo agora. Com o discurso de combater a oligarquia, se forma uma cleptocracia.
Esse grupo que está por trás do Lula é ideológico?
Eles usam a ideologia quando lhes convêm; quando serve para arrebanhar inocentes úteis; quando serve para criar uma cortina de fumaça que os proteja ou quando a ideologia ensina um método de ocupação do poder. Mas o fim é apenas mercantil. Eles estão interessados em dinheiro, em poder, em se perpetuar no poder.
Alkmin não ganhou porque era uma péssima alternativa ou errou na campanha?
Alckmin era um péssimo candidato, o PSDB é um péssimo partido, e a gente não tem uma oposição de verdade no Brasil. A oposição fez um papelão durante um ano e meio nas investigações da roubalheira petista. Como a gente sempre conviveu com roubalheira, eu tentei lembrar que a roubalheira petista era pior do que as outras porque tinha um intuito golpista, como no caso do mensalão pago a parlamentares para apoiar o governo. Isso pode ter ocorrido no passado para comprar um ou dois projectos de lei, mas não para uma legislatura inteira. Uma compra desse nível nunca houve na história brasileira. O dossiê é outro caso de subversão da alternância, da democracia, financiada com dinheiro sujo. Toda a roubalheira petista tem um fundamento antidemocrático. Isso foi o que sempre me preocupou.
Como você imagina o Brasil com mais quatro anos de governo Lula?
Há um abatimento muito grande. A economia vai continuar em marcha lenta. Na parte dos direitos democráticos, vejo uma ameaça permanente, inclusive contra a liberdade de imprensa. Mas Lula só vai se “chavizar”, só vai transformar o governo em algo mais bolivariano, se a economia despencar ou se a imagem pessoal dele for para o brejo. Sempre achei que o maior perigo do Lula era que ele estaria disposto a fazer qualquer coisa para não perder as benesses do poder. Ele seria capaz até de fechar o Parlamento ou de confiscar a propriedade dos meios de comunicação. Se ele não tiver que fazer nada disso, vai continuar o governante paternalista, assistencialista, que a gente viu até hoje. Mas se a situação económica internacional piorar, temo que ele possa cometer mais algum despropósito antidemocrático.
AMÉRICA DO SUL
Quais são os pontos de identificação que você enxerga entre Lula, Chávez e Morales?
Eles são parte de uma mesma coisa, fruto do mesmo germe. A definição de caudilhismo se aplica a todos eles. Eles são uma expressão do passado e imaginam um tipo de sociedade atrasada. A afirmação desse tipo de liderança vai levar a mais subdesenvolvimento. No passado, os caudilhos foram sucedidos por ditaduras militares. A gente espera que isso não aconteça mais uma vez.
Também não há componente ideológico em Chávez e Morales?
Também não. Chávez tentou dar um golpe, fracassou, foi eleito, deu um golpe branco depois de ser eleito, tomou conta dos meios de comunicação. Eles todos são apenas uns oportunistas que se aproveitam desse discurso de combater as oligarquias.
Você acha que essa malta tem peso para ditar os rumos políticos da América Latina?
Claro que sim. Ditar o rumo da tragédia é fácil. Você não precisa ser um grande estadista para levar um país à ruína. Eles estão sendo acompanhados rapidamente por um monte de gente na Nicarágua, no Equador. O México se livrou por pouquíssimo. Não são mais fenômenos isolados. Eles são a maioria na região.
PORTUGAL
Governante português, sempre que vem ao Brasil, leva consigo uma grande embaixada, mas a idéia que os portugueses têm é que os brasileiros não dão a mesma atenção às relações com Portugal. Qual sua opinião sobre a relação do Brasil com Portugal?
Aqui, o cargo diplomático é um favor político, uma concessão política, e Portugal é o destino dos piores políticos, dos mais ignorantes – os monoglotas. Eles são mandados para Portugal porque é o único país onde se fazem compreender. É assim que funciona: o presidente pega um idiota malandro ligado ao governo e manda para Portugal como prêmio.
Isso significa que o governo não dá a menor pelota para país de Eça?
Não dá a menor pelota para lugar nenhum. A carreira diplomática no Brasil é politizada. O Brasil está cheio de bons diplomatas, mas que não fazem carreira. Quem é mandado para as principais embaixadas, como Portugal, em geral, é político de terceira categoria.
Ainda persiste entre os brasileiros o estereótipo de Portugal como o lugar com mulher com bigode?
Brasileiro não tem o menor interesse pelo que acontece fora do Brasil. Na verdade, não se interessa nem pelo que acontece nos Estados Unidos. Portugal não é notícia no Brasil porque é um país que se acertou. Bem ou mal, Portugal se transformou num país, algo que a gente nunca conseguiu fazer.
No caso dos Estados Unidos, compreende-se que o americano médio não dê a menor importância para o resto do mundo por viverem numa potência mundial. No caso do Brasil, como se explica esse alheamento?
O mundo é complexo, precisa lembrar o nome de muita gente, o nome da capital, da moeda… Quando o assunto começa a ficar muito complicado, a gente perde o interesse, olha para o lado, assovia. Brasileiro não é capaz de tanta concentração.
O que acha da frase de Eça de Queiroz de que o brasileiro era o português dilatado pelo calor -livre de preconceitos, aberto e livre?
Eça tinha opiniões muito pertinentes sobre o Brasil. Ele entendeu muito bem o país. Tudo o que ele dizia de mal a nosso respeito é verdadeiro. O Eça é um grande exemplo de intelectual antinacionalista. Ele falava mal não só do Brasil, mas também de Portugal, de maneira muito ácida, muito bem humorada. A única atitude decente que um intelectual pode tomar é odiar a própria pátria. Mas, ao contrário do que disse o Eça, o brasileiro não é o português dilatado pelo calor; é o português murcho, desidratado pelo calor.
Há um chavão aqui no Brasil, e que já chegou a Portugal, de que se tivéssemos sido colonizados pelos britânicos e não pelos portugueses, Brasil seria hoje um país muito mais desenvolvido. Num exercício de achismo, você consegue conceber como seria nossa situação hoje?
Não sei se o Brasil seria melhor, mas também não seria pior, porque pior do que isso não dá. Possivelmente o Brasil seria melhor até mesmo se tivesse sido colonizado por Uganda.
O que herdamos de pior de Portugal?
A gente estava falando de corporativismo, de covardia intelectual, de bacharelismo: esse excesso de cerimônia no embate de idéias é uma herança de Portugal. Algumas polêmicas histéricas aconteceram lá como aqui, mas o enfrentamento intelectual é, normalmente, muito domesticado, muito comportado.
MUNDO
Como avalia a ação dos americanos no Iraque?
Houve uma sucessão de erros. Se há uma desculpa para os americanos é que erraram muito também no Afeganistão, onde fizeram uma guerra com apoio internacional, da ONU e de um monte de países desenvolvidos, e a situação também não está boa. O que há de errado é a idéia de que uma guerra ou uma ocupação pode ser resolvida em dois, três, quatro ou cinco anos, e que haja uma geração espontânea de civilidade. Isso não existe. E foi uma idéia mal vendida.
Você acha possível essa idéia dos americanos de implantar em países orientais uma democracia nos moldes ocidentais?
É possível implantar um sistema mais tolerante do que havia. No caso do Afeganistão e do Iraque, é muito melhor tentar implantar um governo mais aberto do que permitir que se mantenham ditaduras. No Iraque, hoje, existe uma espécie de imprensa livre, a tolerância a partidos políticos, a liberdade religiosa, coisas que não existiam e que com o tempo tendem a se enraizar. O Brasil, por exemplo, está numa transição democrática há mais de 20 anos e as instituições, às vezes, cambaleiam. Não é que seja uma coisa simples de se programar e de se implantar. O processo é lento mesmo.
É curioso que a imagem que nos é passada pela imprensa é que nada no Iraque melhorou, a pior imagem possível…
É, é. Porque, obviamente, há uma urgência na questão de segurança. É como no Brasil, há uma urgência na área de segurança pública. No caso do Iraque, a segurança é o ponto número um e tem de ser resolvido. Falar em liberdade quando não se pode sair na rua sem o risco de ser explodido por um carro-bomba é até piada. Mas os carros-bomba vão deixar de explodir quando eles conseguirem organizar um estado representativo, não só eleitoralmente, porque isso eles já têm, mas também economicamente.
Você acha que o prolongamento da guerra e a idéia de que os Estados Unidos falharam seriam capazes de dar aos terroristas a impressão de que os americanos não têm força para derrotá-los?
Os terroristas se sentiriam mais fortes se, depois de 2001, os Estados Unidos não tivessem feito nada. Ali eles teriam ganho a batalha. Se depois de tudo o que fizeram não houvesse uma resposta americana, aí sim eles se sentiriam vitoriosos. Até mesmo se os Estados Unidos se limitassem a uma retaliação no Afeganistão. Acho que o Iraque virou um campo de enfrentamento entre os Estados Unidos − em teoria, o Ocidente deveria estar do lado dos americanos e não está − e o terrorismo islâmico.
George W. Bush é a besta que a maioria acha?
Ele é um trapalhão. Um trapalhão que, nos momentos importantes, tomou as decisões certas, mas foi péssimo na hora de executá-las.
A imigração descontrolada de muçulmanos para os Estados Unidos e Europa se revelou um tremendo tiro no pé do Ocidente. A partir disso se estabeleceu uma discussão sobre uma suposta guerra entre Oriente e Ocidente. Isso está certo?
Não existe guerra. Não se pode falar em guerra. O que há é o terrorismo, que é um fenômeno para o qual a gente não encontrou uma resposta ainda. Transformar o Ocidente num estado policial é uma hipótese inviável. Agora, é óbvio que a gente tem que reprimir o terrorismo. A repressão tem que ir até o ponto em que não esmague o estado de liberdades civis. E esse é o ponto que a gente não conhece até agora.
China, Cuba, Coréia do Norte, até quando vão durar esses regimes socialistas ditatoriais?
Até a morte desses tiranos. Esses regimes se sustentam pela figura dos tiranos. Depois que eles morrerem, é muito provável que os regimes desmoronem entropicamente. A gente tem que torcer para que essa gente morra logo. Se pudéssemos acelerar a morte deles, seria ótimo.
Você viu o filme feito pelo ex-vice-presidente americano Al Gore? Assim, você acha que o ambientalismo se transformou numa espécie de causa messiânica de gente da esquerda ou de gente séria com boas intenções?
Não, não vi o filme. Não vou ao cinema há uns 10 anos. Ambientalismo é uma questão que tem que ser resolvida pelo mercado, pelas fábricas de automóveis e pelas empresas de energia. Acredito no mercado, acredito em competição. Acho que quando a gente tiver uma necessidade econômica de encontrar uma alternativa aos combustíveis fósseis, poluentes, a gente vai ter mais chances de encontrar.
CULTURA
Você explicou porque começou a escrever sobre política. A pergunta é: você pretende voltar a escrever sobre cultura?
Serei obrigado. Eu não tenho muito interesse pelo que está acontecendo no mundo da cultura. Não há nada de muito excitante que atraia minha atenção, mas por pura falta de assunto vou acabar caindo em cultura de novo. Vai ser só por desespero, porque, se fosse por escolha própria, eu não voltaria. Entusiasmo pelo tema eu não tenho. E não tenho já há algum tempo.
Quais escritores brasileiros você recomendaria leitura?
Os de sempre: Machado de Assis, Lima Barreto. Quem mais? Deve haver o terceiro. Procurando um pouco até poderíamos encontrar.
E os vivos, quais valem a pena?
Compartilho o entusiasmo do João Pereira Coutinho pelo Millôr Fernandes. Ele tem um texto rápido, direto. Os bons escritores brasileiros são os mais econômicos: Millôr, Dalton Trevisan, Ivan Lessa – aqueles que conseguem enxugar nossa língua.
Quais seus escritores portugueses preferidos?
Li toda a obra do Eça, li toda a obra do Camilo Castelo Branco. Gostei muitíssimo das crônicas do João Pereira Coutinho. Ele é muito bom. Fico contente que o Brasil tenha comprado o passe dele.
Hoje é mais fácil ou mais difícil ser Diogo Mainardi?
Eu sempre tive uma visão bastante crítica a meu respeito, então nunca dei muita bola para minha imagem. Sempre me achei pior do que os outros achavam. Sei que o que eu faço é um trabalho, não é uma cruzada. Eu não tenho segundas intenções, não tenho motivação política, interesse pessoal. Faço porque é o meu trabalho. É muito fácil ser Diogo Mainardi porque acabo de trabalhar, desligo computador e sou esse aborrecidíssimo pai de família, um burguesinho comportadinho, certinho, meio barrigudinho que leva o filho para a escola, traz o filho da escola. Então é muito fácil ser Diogo Mainardi. Não recomendo a ninguém, aliás.
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