(Este artigo foi escrito por mim, e publicado no jornal “A Tribuna“, no último dia 9 de julho do corrente ano.)
É fato notório que a descrença na classe política não é contestada nem pelos próprios políticos, que deveriam se envergonhar pela forma como são vistos pela opinião pública. É uma dessas unanimidades em que as exceções apenas confirmam a regra.
Mas, ao mesmo tempo, não existe transformação social perene fora da arena política. Por mais que os cidadãos de bem se enojem dos escândalos, do mau uso do dinheiro público, da carga fiscal avassaladora e da cada vez mais sufocante interferência governamental na vida particular, não há registro histórico de mudança significativa na vida da população que não tenha sido promovida pela via política. Aqui não cabe utilizar a palavra revolução, volta e meia empregada por regimes totalitários que usam o falso manto da vontade popular.
Este artigo não tem como objetivo apelar para o emocional do leitor, especialmente o jovem, ao lembrar que o poder de transformação da sociedade está dentro de nós. Um dos libelos liberais é que cada indivíduo luta, dentro do espírito das leis e da igualdade de oportunidades, pela própria felicidade e interesse. É justamente da emoção desenfreada que nasce o voto impensado; e é à emoção do povo que apelam os caudilhos e governantes despreparados, cada vez que confrontados a atos ilícitos.
O apelo à necessidade da participação do jovem na política é puramente racional. É pela apatia de todos que a política se torna campo vasto para os que não têm qualquer compromisso com um projeto de desenvolvimento, seja ele regional, estadual ou nacional. É do desinteresse de nós, jovens (e tomo a liberdade de me colocar como um deles), que viceja a filosofia do “meu pilão primeiro”. É a partir da nossa descrença que a desesperança ganha terreno na mente de quem pode transformar primeiro a própria cidade, depois o país.
Os exemplos do noticiário não são os mais belos, mas não há caminho que não seja acreditar – e trabalhar – para que a política seja também o caminho mais curto para se fazer o bem. Não para simplesmente mudar a vida das pessoas por intermédio de programas governamentais assistencialistas, nada mais do que a versão mais recente do voto de cabresto. Mas para dar a cada indivíduo a arma para buscar sozinho o que é melhor para si. O poder não suporta vácuo e enquanto os indivíduos honestos e conscientes se mantiverem afastados, alguém vai preencher essa lacuna. E é por isso que o noticiário nosso de cada dia é tão negro e deprimente.
E digo mais: os santistas devem se orgulhar do passado político. E não me refiro apenas às histórias de lutas, das recusas a se curvar perante o mais forte e injusto; mas, principalmente, porque o maior estadista da história brasileira é filho desta terra: José Bonifácio de Andrada e Silva. Do exemplo do passado podemos pavimentar um futuro menos preso a um Estado mastodôntico que massacra a liberdade do País. Os problemas são grandes, no entanto ficarão ainda maiores enquanto nos mantivermos a margem do processo. Chegou a hora de participar. Pelo bem da nossa Cidade.