(Este artigo foi escrito por mim, e publicado no jornal “A Tribuna“ de hoje)
É uma redundância dizer que o futuro da política são os jovens. Pois a política não vive do passado, mas do presente e do futuro. Do presente porque o que se fez no passado retorna sob a forma de ilustração do que é possível fazer no presente; do futuro porque é pela crença no que é prometido no presente que se cria a impressão de que o futuro será assim ou assado.
É preciso muita habilidade retórica e midiática para entusiasmar os que serão protagonistas do que será feito no futuro. E estes são justamente os jovens de hoje. Porque, como todos os homens, os políticos de hoje morrem e dão lugar aos de amanhã, justamente os jovens de hoje.
Se é inevitável a sucessão dos políticos de hoje pelos jovens de hoje, que serão os políticos de amanhã, não é inevitável que os políticos de amanhã repitam os erros dos atuais. Não é inevitável que os jovens de hoje se tornem insensíveis ao povo que, um dia, dirão representar – e dirão coisa certa, pois é do povo que sairão.
E se algum jovem perguntar sobre o que há de comum entre o povo que o elegerá e lhe dará cargo público e todos os povos do mundo e de todas as épocas, certamente descobrirá que é a crença em Deus. Descobrirá que nem todos os povos possuem uma doutrina a respeito de se o Deus no qual crêem tem alguma expectativa específica e claramente definida a respeito de como deve ser a relação dos homens com Ele; mas este não é um problema que exista entre nós, brasileiros. Todos os brasileiros, independentemente de sua confissão religiosa, crêem que Deus existe e que Ele espera alguma coisa de cada indivíduo e grupo de indivíduos.
Um jovem, hoje, que se torne político amanhã, caso queira estar fora do espírito autoritário que tem caracterizado se não todos, pelo menos a maioria dos políticos atuais, terá de afirmar, com suas ações e incluir em suas promessas a fé da maioria do povo brasileiro – a fé em que Deus existe e espera dele, como de todo mundo, que façam o que a Ele é agradável.
Tornando-se de fato representante do povo, deverá lutar com todas as suas forças para que a fé do povo seja respeitada. E esta fé baseia-se diretamente na crença em Deus e tudo que a Ele se refere e define os deveres de cada homem para com Ele. Portanto, ele não poderá ser a favor de princípios e doutrinas que neguem Deus e a relação do homem com Deus; não poderá subscrever os diversos tipos de ateísmos que estão presentes e vivos sempre quando se apóia lei contra a vida, contra a família, contra aquilo que se identifica com as necessidades reais da criança, contra a leniência com as ações criminosas de qualquer espécie, contra a distribuição injusta tanto das riquezas quanto do gozo dos direitos dos cidadãos pobres e que não podem se defender; e contra tudo o mais que seja a afirmação direta de que Deus existe e com Ele temos deveres imprescritíveis.
Paul Johnson, historiador, referindo-se a Napoleão Bonaparte, escreve que: “Por causa dele (Napoleão Bonaparte) podemos refutar a crença dos deterministas de que os acontecimentos são governados por forças, classes, economia e geografia, e não pelas vontades poderosas de homens e mulheres”. Não é necessário que algum jovem de hoje seja um Bonaparte, – é necessário, sim, que cada jovem acredite no poder do individuo acima de toda a coletividade; e que seja fiel ao povo que o elegeu e afirme, em conseqüência, o que afirma a fé da maioria do povo brasileiro: a fé de que Deus existe e todos têm compromissos com Ele e, por isso, não se desculpa qualquer ato de injustiça contra o próximo.