33 anos

Completei 33 anos na última semana. Exatamente no dia 8 de dezembro. E entre idas e vindas, acertos e tropeços, paixões e decepções, tenho apenas uma certeza: aquele menino que jogava futebol, leal aos amigos, comunicativo, sempre com o sorriso no rosto e de bem com a vida, é o que continuo a ser. E continuo em busca do que ainda não fui, claro.

Algumas palavras sobre poder, dinheiro e amigos

O poder é a combinação de amigos e dinheiro. Com bons amigos é possível conseguir dinheiro, e fazê-lo de maneira honesta. Com dinheiro, dificilmente é possível fazer bons amigos.

Pensando numa vida feliz e tranqüila, o roteiro parece ser este: possuir bons amigos, amigos que durem a vida inteira; fazer jus a tais amizades, cuidando para ter força física e saúde para lutar sempre, competência para fazer bem o que se proponha e inteligência para administrar tudo isso.

Se em resultado de tudo isso conseguir chegar a possuir boa quantidade de dinheiro, então será possível dizer que o dinheiro também ajudou na felicidade pessoal. Se, além do dinheiro, chegar ao poder, este certamente será usado para o bem das pessoas e não somente em proveito próprio.

Rock’ and Roll também é metafísica

Quem diz que o Rock’ and Roll não tem conteúdo, às vezes, se engana, porque é só aparecer alguém inteligente e criativo para oferecer uma música cuja letra é um elogio à força de vontade, determinação e inteligência do homem, chegando perto da metafísica!

Do que é que eu estou falando? Estou falando da letra da música Lost!, do grupo Coldplay, que mando junto com a tradução e alguns comentários.

Os compositores são Berryman, Guy Rupert; Buckland, Jonathan Mark; Champion, Will; Martin, Christopher A J. É letra que merece comentários, o que faço sem demora:

1. A letra da música começa diferenciando uma situação atual (a batalha) de uma mais geral (a guerra inteira). Diz “[…] estou perdendo”, querendo dizer: “esta batalha aqui, uma dentre várias, estou perdendo”. Mas além da batalha há a guerra inteira, que irá vencer. Para prová-lo, esclarece: “[…] não estou perdido, …não irei parar, …não devo me render…”.

2. Com muito senso de realidade, reconhece a situação em que está: “estou sofrendo”, mas “não estou ferido”.

3. O seu realismo se prova porque não fica lamentando sua situação, mas aceita tudo que lhe acontece. Por isso que está tendo o que merece, pois quem luta perde, fica ferido – logo, o que lhe acontece não é nem o melhor nem o pior que poderia lhe acontecer, porque está ainda no meio de uma batalha, mas a guerra não terminou e, portanto, não tem vencedor definitivo. Ele será o vencedor definitivo!

4. Demonstra com mais vigor que sua visão é real, não é uma pura fantasia. Demonstra-o fazendo a lista das dificuldades de percurso: rio difícil de atravessar, porta fechada… Só resta esperar “o brilho se apagar”, isto é, a momentânea vitória do adversário. Mas esta vitória vai eclipsar-se tão logo “o brilho se apague”, isto é, a glória momentânea do adversário.  Antes mesmo do tal brilho eclipsar, ele enxerga a situação presente e antevê seu rumo futuro: reconhece que o adversário é grande; porém, grande como um “peixe grande em um pequeno lago”, isto é, como alguém que está se dando bem na batalha do momento. Mas isto não significa “que ele venceu”, pois a vitória numa batalha não significa vitória na guerra – o vencedor só surge no fim.

5. A vitória momentânea do adversário não é vitória definitiva. Porque “logo pode chegar um maior…”, isto é, ele próprio. E então, o adversário “vai se perder”, porque sua (do adversário) arma estava estragada e é questão de tempo para o tiroteio com arma estragada acabar.

Gosto muito deste grupo musical. De toda forma, segue a letra da música em inglês e no vernáculo. Apreciem.

Lost!

Perdido!

Just because I’m losing Só porque estou perdendo
Doesn’t mean I’m lost Não significa que eu esteja perdido
Doesn’t mean I’ll stop Não significa que irei parar
Doesn’t mean I’m across Não significa que deva me render…
Just because I’m hurting Só porque estou sofrendo
Doesn’t mean I’m hurt Não significa que estou ferido
Doesn’t mean I didn’t get what I deserved Não significa que eu não tenho o que eu mereço.
No better and no worse Nem o melhor e nem o pior.
I just got lost! Eu apenas me perdi
Every river that I tried to cross Todo rio que tentei atravessar
Every door I ever tried was locked Toda porta que testei, estava trancada
Ohhh and I’m just waiting ’til the shine wears off Ohhh estou… apenas esperando o brilho se apagar…
You might be a big fish Você pode ser um peixe grande
In a little pond Em um pequeno lago
Doesn’t mean you’ve won Não significa que você venceu
‘Cause along may come Porque logo pode chegar
A bigger one Um maior…
And you’ll be lost! E você vai se perder
Every river that you tried to cross Todo rio que tentou atravessar
Every gun you ever held went off Toda arma que experimentou estava estragada…
Ohhh and I’m just waiting until the firing’s stopped Ohhh e eu estou… apenas esperando até que o tiroteio acabe…
Ohhh and I’m just waiting ’til the shine wears off Ohhh e eu estou… esperando até que o brilho se apague…
Ohhh and I’m just waiting ’til the shine wears off Ohhh estou… apenas esperando o brilho se apagar…
Ohhh and I’m just waiting ’til the shine wears off Ohhh estou… apenas esperando o brilho se apagar…

O Grande e o Gigante

Quando criança, ouvi de uma professora primária a seguinte história:

“As formigas estavam atarefadas carregando pedaços de folhas cujos tamanhos eram muito maiores do que cada uma delas. Uma criancinha, com dó das formigas, pegou folhas e cortou-as com uma tesoura e colocou-as próximas da trilha das formigas. Uma formiguinha disse pra ela: se você cortar as folhas, logo, logo, ficaremos preguiçosas  e não faremos as nossas obrigações. Se quer nos ajudar, deixe que a gente faça como sempre fizemos, tá?”

A lembrança desta historiazinha me fez pensar em duas propostas de solução dos graves problemas que o homem sempre enfrenta, principalmente quando a população aumenta: a subsidiariedade e o estatismo. O primeiro significa algo assim: se a pessoa consegue fazer sozinho, deixe-a fazer; se não consegue, que os da sua casa a ajudem; caso sejam insuficientes, permita-se a ajuda dos vizinhos; depois do bairro inteiro, do município, da prefeitura,  do governo federal… Aí o poder mais abrangente entra na história na medida em que a anterior não seja suficiente e solicite sua ajuda.

O estatismo é o contrário: o governo aumenta (isto é, aumenta o número de funcionários) e se mete na vida de todos (como Governo Federal e sob a forma de leis), de muitos (prefeituras) e de poucos (famílias).

A subsidiariedade é algo em si mesmo grande e desejável; o estatismo, é o gigante que sempre deve ser visto com reservas e, por isso mesmo, contido dentro de limites razoáveis.

Lideranças

Nos escritos dos analistas e discursos dos políticos, quase que invariavelmente propõe uma de três coisas:

1) mudança da sociedade por meio de algum tipo de ação cultural;

2) apoio a uma liderança intelectualizada (apta portanto a expandir os relacionamentos internacionais do país na área econômica principalmente e também cultural; e

3) as vantagens de uma liderança agressiva (com promessas de acabar com a pobreza, com a corrupção; em suma, com a promessa de praticar ações de força dentro do próprio país).

Dificilmente tais assuntos ficam de fora da pauta de qualquer jornal diariamente.

Portanto, é muito necessário identificar quais desses três “produtos” são oferecidos com mais ênfase e unanimidade entre os formadores de opinião. Assim prevenido, fica fácil saber se por trás do primeiro há algo bom para todo mundo ou somente para alguns; se por trás do segundo e do terceiro não se esconde algum tipo de autoritarismo.

PAPEANDO COM ESTE RABISCADOR

Alguns alunos da faculdade aonde eu leciono propuseram-me uma entrevista por escrito. Achei interessante, tendo em vista o teor das perguntas. Não aceitaria responder questões toscas e idiotas. Não tenho tempo a perder. Gostei da profundidade das mesmas. E gostei mais ainda porque tais questões certamente causam desconforto na maioria das pessoas.

Porém, um ponto foi acertado na mosca indo ao encontro dos meus interesses: vocês vão conhecer um pouquinho mais sobre mim nas coisas que realmente importam nesta (para o) Vida – com o perdão do trocadilho.

Seguem abaixo para as suas apreciações.

1 – O que é consciência humana?

R: “Consciência” é o nome que se dá à atividade do espírito quando este se dedica à organização de conhecimentos.  Posso observar que pela minha mente a todo momento surgem as mais diversas informações. Quando me detenho em uma delas – ou no seu conjunto – e aí percebo um sentido específico, o nome que se dá a esta atividade do espírito é consciência. Esta atividade do espírito, chamada “consciência”, é algo assim como uma memória (organização de informações e experiências do passado) preparada para tarefas futuras.  Resumindo, diz-se que consciência é a condição do sujeito que se concentra em algo com toda a sua alma, com todo o seu ser.

2 – O que é mente humana?

R: Mente humana é a designação que se dá ao conjunto de recursos que o homem possui para tudo conhecer. Tais recursos podem ser próprios, como é o caso dos sentidos exteriores (visão, audição, olfato, paladar e tato) e dos interiores (memória, imaginação, cogitativa), os primeiros tornando possível o conhecimento do mundo exterior e os segundos, do mundo interior. Os instrumentos de conhecimento que o homem cria (microscópio, telescópio, voltímetro, etc.,) são extensões dos sentidos externos, e também estão incluídos na expressão “mente humana”.

3 – Você acha que a mente humana pode influenciar os processos fisiológicos? Caso afirmativo de que forma?

R: Claro que pode. A úlcera, a gastrite, são exemplos corriqueiros deste fato.

Não se deve esquecer nunca que o homem é um ser composto: possui um corpo e uma alma. Pelo seu aspecto corporal, possui características semelhantes às dos animais (alimenta-se, cresce, reproduz-se, desloca-se localmente, etc.) e de criaturas puramente inteligentes e imateriais (que Aristóteles denominava “substância separada”, isto é, inteligência separada da matéria). Por isso se diz que ele é um animal (isto é, possui vida, por isso é “animado” ou “dotado de alma”) racional (ou seja, é capaz de raciocinar abstratamente, o que os animais não fazem). Sendo ele um ser composto, tanto sua fisiologia pode afetar sua inteligência (sua “mente”) quanto esta pode afetar seu corpo (sua fisiologia e também sua anatomia).

4 – Você acha que podemos ser vitimas de nossas emoções? Acredita que as emoções possam produzir saúde ou doença?

 R: A emoção, seja ela positiva ou negativa, não produz, por si só, nem saúde nem doença. Emoção (ou sentimento) é o nome que se dá à constatação, pela consciência, da alteração que ocorreu no sujeito. Uma vez que o sujeito, ao longo de sua vida, não tenha exercitado sua capacidade reflexiva, aí é claro que os efeitos da emoção nele serão mais visíveis. Não porque as emoções, em si mesmo, possuam tal poder, mas sim pelo fato de o sujeito ter-se mantido incapaz para o raciocínio abstrato.

 5 – Você pensa no sentido da vida?

R: Claro que sim. Caso contrário eu me sentiria inseguro para escolher e preterir coisas. Há coisas que aceito, mesmo que para terceiros elas pareçam desvantajosas; assim como rejeito outras que podem até parecer vantajosas. Como eu tenho o hábito de pensar constantemente no sentido da vida, julgo convenientes as escolhas que não a contrariem. Se não fizesse assim, eu seria um simples joguete das circunstâncias. Lembrado que são as escolhas que determinam o nosso destino.

 6 – Qual o sentido da vida pra você?

R: É viver em conformidade com a minha vocação, a qual exige que eu me esforce diuturnamente para desenvolver as virtudes sem as quais a vida não vale a pena ser vivida. “Virtude” é o nome que se dá ao hábito de agir com consciência nas diversas situações da vida. As principais virtudes são a fortaleza, a temperança, a justiça e a prudência. A prudência é o regramento consciente da própria conduta; a fortaleza, a coragem para resistir aos medos e conservar a própria dignidade mesmo em situações arriscadas; a justiça, o hábito de não tomar ou reter o que ao outro pertence; a temperança, a força de caráter para dizer não aos desejos, uma vez que atendê-los signifique ir contra o sentido da vida.

7 – Você acredita que vive integralmente o seu momento presente ou preocupa-se excessivamente com seu passado e/ou futuro?

R: Eu acredito que me esforço por manter-me lúcido a cada momento de minha vida. Manter-me lúcido é o mesmo que me esforçar por manter minha consciência limpa de culpas, as quais poderiam resultar de alguma ação covarde, injusta, imprudente ou intemperante. Procuro ser leal a mim e aos outros a cada momento de minha vida. Por isso acredito poder afirmar que me esforço por viver integralmente meu presente, conservando a memória do meu passado e preparando-me para o futuro (para o porvir).

8 – Você acha que tem controle sobre a sua mente?

R: Da mente não é possível ter controle, mas, sim, sobre a vontade. Sobre a vontade, esforço-me sempre por ter controle sobre ela e, através deste controle, manter minha mente limpa de culpas.

9 – Você acha que concede atenção ao seu corpo e sua mente de forma equilibrada?

R: Acredito que sim, por uma questão de educação e temperamento. Meus pais me deram uma educação principalmente alicerçada no exemplo: meu pai nunca se comportou de maneira grosseira com minha mãe e vice-versa, mas sempre de maneira respeitosa. Observei, ao longo de minha vida, o contentamento que um experimentava com o outro ao ver o outro bem, com saúde e bem disposto. Desta experiência repetida nasceu-me o gosto por estar, sempre que possível, o melhor apresentável possível, razão porque tornei-me uma pessoa muito zelosa de minha aparência física. Tanto que com relação ao corpo, pratico corrida a pé, e ando de bicicleta. Porém, a atividade que me é mais aprazível, é o trabalho diário de contra-peso, ou seja, a musculação. Para mim, a “malhação” pertence à nobre tradição dos guerreiros, atletas, monges e iogues ascetas. Identifico-me não com os que buscam conforto e satisfação, mas com aqueles “que se esforçam e passaram fome pelo sabre”. E isso é musculação. É determinação. É transformação. É perseverança. É disciplina. É ritual. É arte e ciência, mergulhado em química e matemática ocidentais.

Quanto à minha mente, acho que sou um pouco relaxado, pois eu estudo menos do que deveria. Mas me esforço para educá-la de maneira a permitir-me ser coerente nas coisas que eu faça ou diga.

10 – É possivel treinar o corpo? É possível treinar a mente?

R: Sem dúvida, é possível treinar ambos. O corpo se treina domesticando-o, não atendendo tudo que a ele apetece, mas dando-lhe o que ele precisa. A mente, com reflexão, estudo e o hábito da consciência limpa, não deixando para resolver depois o que é meu dever fazer hoje.

11 – Você acha que um atleta que medita e treina sua atenção pode ter sua performance melhorada?

R: Acho que não. O atleta, por definição, é uma espécie de soldado. Todo atleta que se aplica a atividades abstratas da mente acaba deixando o esporte e, em muito casos, adquirindo vícios diversos. O atleta precisa do hábito da disciplina e não de meditação, esta entendida como atividade ligada a pensamentos abstratos.

12 – Você acha que a falta de percepção de um sentido de vida pode gerar stress, ansiedade e depressão?

R: Quem viva a vida sem se preocupar com o sentido da própria vida é uma espécie de morto-vivo. Assim como no corpo dos cadáveres surgem os vermes, no indivíduo que não medite sobre o sentido de sua vida é possível a emergência de todo tipo de doença do espírito.

13 – Do que você tem medo?

R: Fundamentalmente de ser infiel à minha vocação e desleal principalmente àquelas pessoas que amo. São os meus maiores medos. Os outros medos, como o de ver meu corpo desfigurado, contrair doenças, viver a perda dos entes queridos, etc., são parte normal da vida e estão fora do que eu posso prever ou administrar. Porém, a coerência com a minha vocação e a lealdade aos amigos, estão dentro do que posso administrar – e por isso meu medo é algum dia falhar nessas coisas.

14 – Descreva sua forma de perceber DEUS?

R: Sinceramente, eu só comecei a pensar na existência de Deus porque ao longo da vida conheci pessoas que dizem não acreditar em Deus. Para mim sempre foi a coisa mais óbvia do mundo o fato de Deus existir. Nunca tive nenhuma dúvida a respeito.

Mas, ao refletir sobre a questão da existência de Deus e sobre o fato de alguns terem dificuldade em acreditar nisso, percebi algumas coisas importantes. Por exemplo, 1) que a quase totalidade dos seres humanos acredita (e sempre acreditaram) em Deus; 2) que as pessoas que dizem que não acreditam em Deus, ao falarem de Deus, falam como pessoas que nunca pensaram seriamente neste assunto mas, sim, de outras pessoas que elas conheceram e que agiram errado com elas ou com terceiros. Assim, como tais pessoas diziam acreditar em Deus, mas mesmo assim agiam errado, então concluíram que Deus não existe; 3) quem diz que não acredita em Deus acaba afirmando, sem disso ter consciência, que acreditam em efeito sem causa. Porque se Deus não existe, como é que as demais coisas existem? De onde elas surgiram? Do nada? De outras coisas? Basta seguir esta linha de raciocínio para ver que não tem como escapar: se Deus não existe, não é possível explicar como as demais coisas existem, pois em algum momento elas começaram a existir, dado que nenhuma delas existe para sempre e nem existiram sempre.

15 – O que você sabe sobre psiconeuroimunoendocrinologia?

R: Absolutamente nada (com o perdão do pleonasmo).

16 – Você sabe para onde sua vida esta sendo direcionada? Tem controle sobre ela?

R: Não, não sei, e acho que ninguém sabe. O que sei é que eu possuo uma vocação e tenho de me esforçar para que minha vida se desenrole em coerência com ela, caso contrário ela carecerá de sentido. Mas aonde eu vou chegar, isto eu não sei e ninguém sabe e nem é possível ter controle sobre isso. Afinal de contas, Deus é um só e este não sou eu.

17 – Você poderia definir o que são práticas de integração corpo e mente?

R: Entendo que são práticas propostas por cegos espertos que vivem de enganar outros cegos distraídos para tirar deles principalmente dinheiro.

Fundamentando a resposta: modernamente, há duas concepções opostas sobre o que é o ser humano. Uma é a cristã, que enxerga o ser humano como uma criação especial de Deus: é a única criatura que Deus personaliza a criação, infundindo-lhe diretamente a alma. Esta concepção baseia-se no que está escrito no primeiro livro da Bíblia, Gênesis, 2, 7: “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente”. Este “sopro de Deus” é o princípio de vida do ser humano, ao qual se denomina “alma”.

A outra concepção é a baseada na crença no “Big Bang”: tudo começou com uma explosão, doutrina que não explica nem o que explodiu e também o que fez aquilo que explodiu explodir. Segundo esta doutrina, o homem é, como as demais coisas, uma simples “reunião de poeira cósmica”.

A concepção cristã presume e enfatiza uma hierarquia: o cosmos foi criado para a utilidade do corpo do homem; o corpo do homem para servir à sua alma; a sua alma, para adorar e amar a Deus, isto é, servi-Lo.

A segunda concepção, atéia, pressupõe que a alma do homem, bem como seu corpo, são iguais, diferindo apenas pelo fato de serem “formas diferentes de energia”. De modo que o que o homem é, no fundo, é uma “energia” (conceito que nunca foi explicado), a corporalidade e a subjetividade humana sendo suas duas formas de manifestação.

Para quem acredita na segunda concepção, a ideia de “integração corpo e mente” é muito atrativa, na medida em que a saúde ou a doença nada mais são do que um “desequilíbrio energético”. Pura balela.

Para os que acreditam na primeira concepção, cristã – o que é o meu caso – antes de falar em “integração corpo e mente”, soa mais razoável falar em “correta hierarquia”, isto é, a submissão do corpo à “mente” e desta a Deus. A hierarquia completa fica assim: cosmos, corpo do homem, alma do homem, Deus. O cosmos (ou o meio-ambiente total) deve ser cuidado pelo homem para que seu corpo não sofra; seu corpo deve ser cuidado e disciplinado para que ele se torne obediente à alma; esta deve ser virtuosa, isto é, deve ter como meta agradar a Deus, que a criou. Para a alma agradar a Deus, ela deve disciplinar o corpo; para o corpo comportar-se de maneira obediente à alma, ele deve ser submetido a boas regras, as quais são ditadas pela moral  (fazer o bem e afastar-se do mal; não fazer ao próximo o que não queira que seja feito consigo, etc.); e para que tais regras dêem bons frutos, o homem deve cuidar o melhor que possa do meio-ambiente, sem o qual o seu corpo não é capaz de funcionar bem.

18 – A fé pode beneficiar as pessoas em geral e os atletas em especial? Justifique seu pensamento.

R: Todo ser humano possui fé, caso contrário ninguém sequer levantaria da cama. A fé é uma atividade espontânea do espírito do homem. O que deve ser observado é “no que é que o sujeito acredita?”, o objeto da fé. Se alguém viver sem acreditar que ele é capaz de conhecer a verdade, amar, superar seus defeitos, etc., acaba indo para o fundo do poço.

O atleta precisa manter a fé de que ele é capaz de ser o melhor atleta na modalidade que ele escolheu, assim como o cientista, que ele é capaz de encontrar a solução prática para alguma dificuldade técnica, o sujeito vocacionado às letras que ele é capaz de formular a compreensão da verdade de forma inteligível e útil para terceiros e assim por diante. Como disse o apóstolo São Paulo, “sem fé é impossível agradar a Deus”. Ora, se queremos agradar ao Bem Supremo, que é Deus, devemos começar acreditando nEle, acreditando que Ele é bom e que se preocupa com cada um de nós e para cada um quer o bem. Se não sou capaz de acreditar em nada disso, então é porque deixei de fazer jus ao status humano.

TRINTA E DOIS ANOS NESTA MANHÃ

Em homenagem a esta linha da sombra que atravessarei, logo mais postarei uma longa e interessante entrevista feita com este que vos tecla. Assim, vocês poderão me conhecer mais um pouquinho. As perguntas são bem interessantes e tratam de assuntos que dizem respeito a todos nós.

Até lá, meus caros. Não fiquem ansiosos.

P.S. Exatamente às 11 horas e 45 minutos.